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De modo geral, pacotes contêm todos os arquivos necessários para implementar um conjunto de recursos ou comandos relacionados. Existem dois tipos de pacotes Debian:
Pacotes binários, que contêm arquivos executáveis, de configuração, páginas de manual/info, informações de copyright e outras documentações. Esses pacotes são distribuídos em um formato de arquivo específico do Debian (veja Qual é o formato de um pacote binário Debian?, Seção 6.2); eles são normalmente caracterizados pela extensão '.deb'. Pacotes binários podem ser descompactados utilizando o utilitário dpkg; detalhes são dados em sua página de manual.
Pacotes fonte, que consistem em um arquivo .dsc que descreve o pacote fonte (incluindo os nomes dos seguintes arquivos), um arquivo .orig.tar.gz que contém o código fonte original sem modificações, em formato tar comprimido com gzip, e normalmente um arquivo .diff.gz que contém as mudanças específicas para o Debian em relação ao código fonte original. O utilitário dpkg-source empacota e desempacota pacotes fonte Debian; os detalhes são fornecidos em sua página de manual.
A instalação de software pelo sistema de pacotes usa "dependências"
que são cuidadosamente designadas pelos mantenedores dos pacotes. Essas
dependências são documentadas no arquivo de controle associado a
cada pacote. Por exemplo, o pacote que contém o compilador GNU C
(gcc) "depende" do pacote binutils, que
inclui o ligador e o montador assembler. Se um usuário tentar instalar o
gcc sem antes instalar o binutils, o sistema de
gerenciamento de pacotes (dpkg) mostrará uma mensagem de erro indicando que o
usuário também precisa do binutils, e irá deixar de instalar o
gcc. (Apesar disso, esse recurso pode ser desativado por usuários
insistentes, veja dpkg(8)). Veja mais em O
que significa dizer que um arquivo
Depends/Recommends/Suggests/Conflicts/Replaces/Provides
(Depende/Recomenda/Sugere/Conflita/Substitui/Oferece) outro pacote?, Seção
6.9 abaixo.
As ferramentas de empacotamento do Debian podem ser usadas para:
manipular e administrar pacotes ou partes de pacotes;
ajudar o usuário na divisão de pacotes que precisam ser transmitidos através de mídia limitada em tamanho como disquetes;
ajudar desenvolvedores na construção de pacotes; e
ajudar usuários na instalação de pacotes que estejam em um servidor FTP remoto.
Um "pacote" Debian, ou um repositório de arquivos Debian contém os arquivos executáveis, bibliotecas e documentação associada a um conjunto particular de programas. Normalmente, o arquivo Debian possui um nome que termina em .deb.
O formato interno desses pacotes binários Debian é descrito na página de manual
deb(5). Esse formato interno está sujeito a mudanças (entre as
principais versões do Debian GNU/Linux), portanto, use sempre
dpkg-deb(1) para manipular arquivos .deb.
Os nomes de pacotes de binários Debian seguem a seguinte convenção: <foo>_<NúmerodeVersão>-<NúmerodaRevisãoDebian>.deb
Perceba que foo é supostamente o nome do pacote. Para verificação, pode-se descobrir o nome do pacote associado a um arquivo Debian particular (.deb) através de um dos seguintes meios:
inspecionar o arquivo "Packages" no diretório onde ele foi armazenado em um site FTP do Debian. Esse arquivo contém uma entrada descrevendo cada pacote; o primeiro campo em cada entrada é formalmente o nome do pacote.
usar o comando dpkg --info foo_VVV-RRR.deb (onde VVV e RRR são respectivamente os números da versão e da revisão do pacote em questão). Isso mostra entre outras coisas, o nome do pacote correspondente ao arquivo sendo desempacotado.
O componente VVV é o número de versão especificado pelo desenvolvedor original do programa. Não existem padrões aqui, então o número de versão pode ter formatos tão diferentes quanto "19990513" e "1.3.8pre1".
O componente RRR é o número da revisão Debian, e é especificado pelo desenvolvedor Debian (ou um usuário individual, se ele próprio decidir construir o pacote). Esse número corresponde ao nível de revisão do pacote Debian, portanto, um novo nível de revisão geralmente significa mudanças no Makefile do Debian (debian/rules), no arquivo de controle Debian (debian/control), nos scripts de instalação e remoção (debian/p*), ou nos arquivos de configuração usados com o pacote.
Detalhes sobre o conteúdo de um arquivo de controle Debian podem ser encontrados no "Debian Packaging Manual", no capítulo 4, veja Que outra documentação existe em/para um sistema Debian?, Seção 11.1.
Resumidamente, um arquivo de controle de exemplo é mostrado abaixo para o pacote Debian "hello":
Package: hello
Priority: optional
Section: devel
Installed-Size: 45
Maintainer: Adam Heath <doogie@debian.org>
Architecture: i386
Version: 1.3-16
Depends: libc6 (>= 2.1)
Description: The classic greeting, and a good example
The GNU hello program produces a familiar, friendly greeting. It
allows nonprogrammers to use a classic computer science tool which
would otherwise be unavailable to them.
.
Seriously, though: this is an example of how to do a Debian package.
It is the Debian version of the GNU Project's `hello world' program
(which is itself an example for the GNU Project).
O campo "Package" indica o nome do pacote. Esse é o nome pelo qual o pacote pode ser manipulado pelas ferramentas de pacote, e é normalmente semelhante para, mas não necessariamente igual a primeira parte do nome do arquivo do pacote Debian.
O campo "Version" indica tanto o número de versão do desenvolvedor original quanto o nível de revisão (na última parte) do pacote Debian deste programa, como explicado em Por que os nomes de pacotes Debian são tão longos?, Seção 6.3.
O campo "Architecture" especifica o processador para o qual este binário em particular foi compilado.
O campo "Depends" apresenta uma lista de pacotes que devem estar instalados para que este pacote seja instalado com sucesso.
O campo "Installed-Size" indica quanto espaço em disco o pacote instalado consumirá. Este campo é usado por front-ends de instalação, a fim de mostrar se há espaço suficiente disponível para instalar o programa.
A linha "Section" indica a seção onde esse pacote Debian é armazenado nos sites FTP do Debian. Esse é um nome de subdiretório (dentro de um dos diretórios principais, veja O que são todos aqueles diretórios nos repositórios FTP do Debian?, Seção 5.1) onde o pacote é armazenado.
O campo "Priority" indica quão importante é este pacote para instalação, de forma que softwares semi-inteligentes como o dselect ou o apt possa ordenar o pacote dentro de uma categoria de, por exemplo, pacotes opcionais instalados. Veja O que é um pacote Required/Important/Standard/Optional/Extra?, Seção 6.7.
O campo "Maintainer" indica o endereço eletrônico da pessoa responsável pela manutenção deste pacote.
O campo "Description" mostra um breve resumo das características do pacote.
Para mais informações sobre todos os campos possíveis que um pacote pode ter, por favor, veja o "Debian Packaging Manual", seção 4, "Control files and their fields".
Conffiles é uma lista de arquivos de configuração (normalmente colocados em /etc) que o sistema de gerenciamento de pacotes não sobrescreverá quando o pacote for atualizado. Isso assegura que valores locais para os conteúdos desses arquivos serão preservados, e isso é uma característica crítica que permite a atualização de pacotes enquanto o sistema está funcionando.
Para determinar exatamente que arquivos são preservados durante uma atualização, rode:
dpkg --status package
E olhe sob "Conffiles:".
Esses arquivos são scripts executáveis que são executados automaticamente antes ou depois de um pacote ser instalado. Juntamente com um arquivo chamado control, todos esses arquivos são parte da seção "control" de um arquivo Debian.
Os arquivos individuais são:
Este script é executado antes que o pacote seja desempacotado de seu arquivo Debian (".deb"). Muitos scripts 'preinst' param serviços de pacotes que estejam sendo atualizados até que sua instalação ou atualização esteja completa (após a execução correta do script 'postinst').
Este script normalmente completa qualquer configuração exigida pelo pacote foo depois que foo tenha sido desempacotado de seu arquivo Debian (".deb"). Freqüentemente, scripts 'postinst' pedem informações ao usuário, e/ou avisam-no que se ele aceitar valores padrões, deve lembrar-se de reconfigurar o pacote conforme a necessidade. Muitos scripts 'postint' executam quaisquer comandos necessários para iniciar ou reiniciar um serviço uma vez que o novo pacote tenha sido instalado ou atualizado.
Este script geralmente para quaisquer daemons que estejam associados a um pacote. Ele é executado antes da remoção de arquivos associados ao pacote.
Este script normalmente modifica ligações ou outros arquivos associados a foo, e/ou remove arquivos criados pelo pacote. (Veja também O que é um pacote virtual?, Seção 6.8).
Atualmente todos os arquivos de controle podem ser encontrados em /var/lib/dpkg/info. Os arquivos relevantes ao pacote foo começam com o nome "foo", e possuem extensões "preinst", "postinst", etc., conforme apropriado. O arquivo foo.list naquele diretório lista todos os arquivos que foram instalados com o pacote foo. (Perceba que a localização desses arquivos é um aspecto interno do dpkg; você não deve confiar nisso).
A cada pacote Debian é atribuída uma prioridade designada pelos mantenedores da distribuição, para auxiliar o sistema de gerenciamento de pacotes. As prioridades são:
Required: pacotes que são necessários para o funcionamento correto do sistema.
Isto inclui todas as ferramentas necessárias para o conserto de defeitos do sistema. Você não deve remover esses pacotes ou seu sistema poderá ficar inoperante e você provavelmente não conseguirá nem mesmo usar o dpkg para colocar tudo em seu devido lugar. Sistemas que possuam apenas os pacotes obrigatórios provavelmente não têm utilidade, mas têm funcionalidade suficiente para permitir que o administrador dê boot e instale mais software.
Important: pacotes que devem estar presentes em qualquer sistema estilo Unix.
Outros pacotes sem os quais o sistema não será útil ou não funcionará corretamente estarão aqui. Isto NÃO inclui Emacs, X11, TeX ou quaisquer outros grandes aplicativos. Estes pacotes constituem apenas a infra-estrutura básica.
Standard: pacotes que são comuns em qualquer sistema Linux, incluindo um sistema em modo caractere razoavelmente pequeno, mas não muito limitado.
Isto é o que será instalado normalmente se o usuário não selecionar mais nada. Não inclui muitos aplicativos grandes, mas inclui Emacs (este é mais uma peça de infra-estrutura do que um aplicativo) e uma parte razoável do TeX e LaTeX (se isso for possível sem o X).
Optional: pacotes que incluem todos aqueles que você normalmente gostaria de instalar mesmo se não soubesse o que eram, ou não tivesse necessidades especiais.
Isto inclui o X11, uma distribuição completa do TeX e muitos aplicativos.
Extra: pacotes que entram em conflito com outros de maior prioridade, ou provavelmente são úteis apenas se você sabe o que são ou se possuem necessidades especiais que os tornam inadequados para serem "optional".
Um pacote virtual é um nome genérico que se aplica a qualquer elemento de um grupo de pacotes, onde todos oferecem funcionalidade básica similar. Por exemplo, ambos os programas tin e trn são leitores de news, e devem então satisfazer qualquer dependência de um programa que exija um leitor de news em um sistema para funcionar ou ser útil. Diz-se que ambos oferecem o "pacote virtual" chamado news-reader (leitor de news).
Analogamente, smail e sendmail oferecem a funcionalidade de um "mail transport agent" (agente de transporte de correio). Diz-se então que ambos oferecem o pacote virtual "mail transport agent". Se qualquer um deles está instalado, programas que dependam de um mail-transport-agent serão satisfeitos pela existência deste pacote virtual.
O Debian fornece um mecanismo que, se mais de um pacote que oferece o mesmo pacote virtual estiver instalado em um sistema, então os administradores podem selecionar um deles como o pacote preferencial. O comando pertinente é update-alternatives, que é descrito adiante na seção Alguns usuários gostam do mawk, outros do gawk; alguns gostam do vim, outros do elvis; alguns gostam do trn, outros do tin; como o Debian lida com diversidade?, Seção 10.10.
O sistema de pacotes Debian possui uma gama de "dependências" entre pacotes que são planejadas para indicar (em um único campo) o nível no qual o Programa A pode operar independentemente da existência do Programa B em um dado sistema:
O Pacote A depende ("Depends") do Pacote B,se B deve necessariamente estar instalado para que A possa ser executado. Em alguns casos, A depende não apenas de B, mas de uma versão de B. Neste caso, a dependência na versão é normalmente um limite mínimo, no sentido de que A depende de qualquer versão de B mais recente que uma versão específica.
O Pacote A recomenda ("Recommends") o Pacote B, se o mantenedor do pacote julga que a maioria dos usuários não usariam A sem ter também a funcionalidade oferecida por B.
O Pacote A sugere ("Suggests") o Pacote B se B contém arquivos que estão relacionados com (e geralmente melhoram) a funcionalidade de A.
O Pacote A conflita ("Conflicts") com o Pacote B quando A não funciona se B está instalado no sistema. Normalmente, conflitos são casos onde A contém arquivos que são melhorias em relação aos de B. "Conflitos" geralmente são combinados com "substituições" ("replaces").
O Pacote A substitui ("Replaces") o Pacote B quando arquivos instalados por B são removidos e (em alguns casos) sobrescritos por arquivos de A.
O Pacote A oferece ("Provides") o Pacote B quando todos os arquivos e a funcionalidade de B estão incorporados em A. Este mecanismo oferece um modo pelo qual os usuários com espaço em disco limitado tenham apenas a parte do pacote A que eles realmente precisam.
Informações mais detalhadas sobre o uso desses termos podem ser encontradas no Packaging Manual e no Policy Manual.
"Pré-Dependência" é uma dependência especial. No caso da maioria dos pacotes, o dpkg descompactará seu arquivo (ou seja, seu arquivo .deb) independentemente se os arquivos dos quais ele depende existem ou não no sistema. De forma simples, descompactar significa que o dpkg irá extrair o conteúdo do arquivo que deveria ser instalado em seu sistema de arquivos, e o colocará no seu lugar correto. Se aquele pacote depende da existência de outros pacotes do seu sistema, o dpkg se negará a completar a instalação (executando sua ação "configure") até que os outros pacotes sejam instalados.
Contudo, para alguns pacotes, o dpkg se negará a descompactá-los até que certas dependências sejam resolvidas. Diz-se que tais pacotes "pré-dependem" ("Pre-Depends") da presença de outros pacotes. O projeto Debian ofereceu este mecanismo para dar suporte a atualização segura de sistemas de formato a.out para o formato ELF, onde a ordem em que os pacotes eram descompactados era crítica. Existem outras situações de atualização onde este método é útil, por exemplo, os pacotes de prioridade "required", que dependem da libC.
Como antes, mais informações detalhadas sobre isto podem ser encontradas no Packaging Manual.
Estes "flags" indicam o que o usuário gostaria de fazer com o pacote (como indicado pelas ações tomadas na seção "Select" do dselect, ou pela chamada direta ao dpkg).
Seus significados são:
unknown (desconhecido) - o usuário nunca indicou se ele quer o pacote;
install (instalar) - o usuário deseja o pacote instalado ou atualizado;
remove (remover) - o usuário deseja o pacote removido, mas não deseja excluir qualquer arquivo de configuração existente;
purge (remover por completo) - o usuário deseja que o pacote seja removido por completo, incluindo seus arquivos de configuração;
hold (conservar) - o usuário não deseja que esse pacote seja processado, ou seja, ele deseja manter a atual versão que está instalada em seu sistema, qualquer que ela seja.
Existem duas maneiras de colocar um pacote em "hold", com dpkg, ou com dselect.
Com o dpkg, você deverá apenas exportar a lista de seleções de pacotes, com:
dpkg --get-selections > selections.txt
E então, editar o arquivo resultante selections.txt, altere a
linha que contém o pacote que você deseja manter, por exemplo,
libc6,disso:
libc6 install
para isto:
libc6 hold
Salve o arquivo, e o recarregue na base de dados do dpkg, com:
dpkg --set-selections < selections.txt
Com o dselect, você deverá apenas entrar na tela de seleção de pacotes, achar o pacote que você deseja manter em seu devido estado, e pressionar a chave `=' (ou `H'). A mudanças aconteceram imediatamente após você sair da tela de seleção de pacotes.
Pacotes Debian de fontes não são "instalados" de fato, eles são apenas descompactados no diretório em que você quiser construir os pacotes de binários que eles produzem. Pacotes de código fonte são distribuídos em um diretório chamado source, e você pode baixá-los manualmente, ou usar
apt-get source foo
para pegá-los (veja a página de manual apt-get(8) em como
configurar o APT para fazer isso).
Você precisará dos arquivos foo_*.dsc, foo_*.tar.gz e foo_*.diff.gz para compilar o código fonte (atenção: não há .diff.gz para um pacote Debian nativo).
Uma vez que você os tenha, se você possuir o pacote dpkg-dev
instalado, o comando:
dpkg-source -x foo_version-revision.dsc
extrairá o pacote no diretório chamado foo-versão.
Se você deseja apenas compilar o pacote, deve ir para o diretório foo-versão e executar o comando
debian/rules build
para construir o programa, depois
debian/rules binary
como root, para construir o pacote, e em seguida
dpkg -i ../foo_versão-revisão_arq.deb
para instalar o pacote recentemente construído.
Para descrições mais detalhadas sobre isso, leia o New Maintainers' Guide,
disponível no pacote maint-guide, ou em ftp://ftp.debian.org/debian/doc/package-developer/maint-guide.html.tar.gz.
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A FAQ (perguntas freqüentes) do Debian GNU/Linux.
Versão 4.0.3, 26 June 2008